Pare de lutar contra a zona de conforto. Aprenda como dominá-la.
Não importa quantas mudanças você provoca em sua rotina, a vontade de voltar ao estado anterior é maior, é reforçada; não é sobre preguiça, ocorre independente do seu desejo. Já percebeu isso?
As pessoas falam: Saia da sua zona de conforto! E eu te digo: Isso não é possível. Você sempre estará em uma zona de conforto, ela nos traz segurança e precisamos disso para não sofrermos de estresse. O segredo é: autoconhecimento e adaptação.
O cérebro é programado para criar zonas de conforto. Você pode escolher cursar aquela pós-graduação tão desejada, de repente, escuta uns pensamentos desanimadores, isso ocorre porque situações que possam lhe causar algum risco ou desconforto, acionará gatilhos, fazendo com que o seu cérebro reaja com incentivos a voltar à zona de conforto. É mais ou menos assim:
Eu: Finalmente vou iniciar minha Pós. Vai ser difícil, mas eu consigo.
Cérebro: Fazer pós para quê? Já tem tanto curso! Fica em casa, termina aquela série. Pede um ifood. É longe, vai pegar trânsito...
Eu: Não! Vou ser forte, vou fazer essa pós.
Cérebro: Ok, vamos fazer. Vou esperar você ir umas três vezes e aí ataco novamente.
Eu: (no 3º dia de curso) é muito longe, cansa demais, não consigo conciliar com o trabalho, será que dá para trancar? Será que consigo o dinheiro investido de volta?
Cérebro: Ufa, voltamos ao módulo de segurança. Meta cumprida!!! Fim desse ciclo...
Essa é a rotina da zona de conforto. Somos a espécie dominante por conta de alguns atributos que ficaram gravados, cravados em nossos genes. Nosso cérebro é programado para garantir nossa sobrevivência há cerca de 300 mil, e fez isso muito bem. Toda nova rotina precisa ser absorvida e analisada por ele. É preciso saber se não oferecerá riscos, sejam eles físicos ou emocionais.
Um novo curso, uma nova moradia, um novo relacionamento, um novo emprego, tudo isso é assustador para o cérebro, mesmo que todos esses campos implorem por mudanças. Para o bem ou para o mal, isso quer dizer que ele é amoral, ele já tem o controle do que poderá acontecer contigo, e, por consequência te incentiva a permanecer no que é seguro, garantindo que você estará a salvo de novos riscos. Essa é a forma de nos proteger, de garantir nossa sobrevivência.
Na vida corporativa, a zona de conforto poderá impedir seu crescimento e na vida pessoal dificultará o reconhecimento de estar em empregos ou relações ruins, tudo pela suposta segurança estabelecida pelo cérebro. E sabe o que é pior? É que é normal e fisiológico.
Se entendêssemos da nossa fisiologia, talvez saberíamos lidar melhor com os nossos comportamentos, desejos, vontades e controlaríamos mais as nossas atitudes e emoções. Vou te ajudar a vencer esse obstáculo, isso irá servir para toda mudança que tiver vontade de fazer, o segredo é desafiar seu cérebro, tratá-lo como algo que habita o seu corpo, como se fosse o motor de um carro. A técnica funcionara como uma espécie de adestramento e condicionamento. Seja racional com o seu cérebro, é preciso estimulá-lo e educá-lo. Aprenda a fazer isso, seguindo essas 4 etapas:
1. Rotina/Hábito
Adote uma nova atividade semanal, comece com as pequenas. Pode ser um novo caminho para casa, uma planilha, ou uma caminhada, por exemplo. A ideia é desafiar-se e ver que outras opções também podem dar certo, sem necessariamente envolver riscos.
Isso mostrará ao seu cérebro que mudar algumas coisas não é perigoso ou ruim. Você estimulará seu cérebro a aceitar novas escolhas.
2. Meta
Para cada nova atividade, trace uma meta. Lembre-se comece com as pequenas, como caminhar 200 metros por exemplo. Marque na sua agenda quando deseja realizar a meta e dê um ‘ok’ quando cumprir. O Objetivo aqui não é correr a maratona, mas ter o prazer de cumprir uma meta.
Isso te dará a sensação de cumprir com o que se compromete em fazer, dará a sensação de bem-estar, de ser competente. Isso liberará dopamina e dará vontade de repetir. É o hormônio da compensação. Em outras palavras está associando prazer a essa nova atividade.
3. Comemore suas conquistas
Toda vez que cumprir essa atividade comemore, faça uma coisa que você goste, precisa ser algo que lhe desperte prazer. A ideia é vincular o cumprimento dessa atividade com uma sensação prazerosa. Te leve para jantar, por exemplo.
Isso liberará os hormônios relacionados a compensação, como a dopamina, tornando mais fácil para o seu cérebro aceitar esse novo desafio.
4. Foco | Rotina
Mantenha o foco dessas atividades por mais 30 dias. Tenha periodicidade. Após esse período, você terá criado uma rotina, seu cérebro já terá entendido que não há risco em realizar as atividades escolhidas. Ao término, você terá criado uma necessidade dessa tarefa, inclusive será cobrado por ele de cumpri-las.
Pronto, rotina criada, inserida no seu cotidiano e de bem com a sua fisiologia. Você também poderá utilizar esse método com aquela planilha mensal, chata de fazer. Ressignifique.
Ficou com a impressão de ter um funcionamento cerebral capenga?
Concordo, mas é o nosso funcionamento, não podemos fugir disso. Cabe a você ter autoconhecimento e decidir o que é melhor para sua vida. O cérebro não vai mostrar que essa ou aquela situação estão ruins, ele vai adaptar. Criará a zona de conforto, mesmo nos piores cenários. É preciso saber desafiar, enfrentar, estimular o gosto por mudanças e quebrar de paradigmas; é preciso criar uma capacidade reflexiva e analítica constante sobre os acontecimentos do dia e seus impactos sobre nosso emocional. Vá mais cedo para cama e faça essas reflexões, precisamos disso. Faça a sua manutenção e organização emocional.
Lembre-se: as coisas podem estar ruins e você não se dará conta, porque estará na Matrix da zona de conforto.